24° Congresso Cearense de Cardiologia

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Dados do Trabalho


Título

DISSECÇÃO DE AORTA TIPO 1 COM OLIGOSSINTOMAS: RELATO DE CASO

Resumo estruturado

INTRODUÇÃO: Dissecção de aorta (DA) é um tipo de síndrome aórtica aguda que geralmente cursa com dor torácica aguda retroesternal intensa de início súbito e progride no sentido da dissecção, com pulsos periféricos alterados ao exame físico, e pode ser classificada em três tipos (1, 2 e 3) de acordo com os critérios de DeBarkey. O tipo 1 envolve aorta ascendente e descendente, que por vezes pode vir concomitante a um aneurisma (AN) da mesma artéria, caracterizado por dilatação irreversível do diâmetro da aorta. Diante da grande relevância e do desafio do tratamento cirúrgico de DA, esse trabalho tem como objetivo relatar um caso diferenciado do tipo 1, que apresentou-se clinicamente inespecífico. RESULTADOS/DISCUSSÃO: J.F.C.N. masculino, 67 anos, casado, 82 kg, não fumante, bebe socialmente, nega hipertensão e diabetes, possui hipotireoidismo controlado, nega alergias, trabalha como comandante de navios. Há 5 meses aconteceu um episódio de síncope com dor de pouca intensidade nas costas, sendo avaliado sem diagnóstico específico, dando segmento às atividades normalmente, e há 2 meses procurou ajuda médica por dor abdominal acometendo fossas ilíacas direita e esquerda e hipogástrio. Tomografia computadorizada (TC) de abdome revelou sinais de diverticulite aguda em sigmóide e extensa DA estendendo-se desde a transição toraco-abdominal até as artérias (aa) ilíacas. Angio TC da aorta revelou AN de porções ascendentes, croça e parte inicial da descendente, trombose parcial da luz após emergência da artéria subclávia esquerda. DA com flap proximal iniciando junto à valva aórtica; aa subclávia direita, carótida esquerda, tronco braquiocefálico, renal direita, tronco celíaco e mesentéricas superior e inferior originavam-se da luz falsa da dissecção. Realizou-se correção cirúrgica do AN, medindo cerca de 10 cm de diâmetro, e da DA. No tempo principal da cirurgia houve, esternotomia mediana; instalação da circulação extracorpórea (CEC); hipotermia moderada, perfusão cerebral anterógrada, correção do AN dissecante em aorta ascendente, arco e aorta descendente, com liberação e fixação da endoprótese em aorta descendente e uso de tubo de Dacron para correção da porção ascendente e arco, sendo, portanto, refeito o fluxo pela luz verdadeira; saída de CEC após aquecimento. No tempo final colocou-se dreno em mediastino. Cirurgia sem intercorrências sendo encaminhado para a UTI, evoluindo bem no pós-operatório, calmo, vigil, cooperativo e sem déficits focais, estável hemodinamicamente e sem drogas vasoativas, ventilação espontânea em ar ambiente. CONCLUSÃO: Esse relato de caso chama atenção da possibilidade da ocorrência silenciosa de graves doenças cardiovasculares e da importância de exames rotineiros, além do tratamento do tipo de doença relatado, com o intuito de evitar a mortalidade por DA e AN com sintomas inespecíficos.

Palavras-chave (de 3 a 5)

aneurisma, dissecção, aorta

Área

Cirúrgico

Autores

João Victor Accioly D'Albuquerque Tôrres, Bruna Queiroz Allen Palacio, Diogo Queiroz Allen Palacio, Lídia Vieira do Espírito Santo, Aluísio Kennedy de Sousa Filho, Natália Stefani de Assunção Ferreira, Edite Carvalho Machado, Adriano Lima Souza