V Congresso Cearense de Infectologia

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Dados do Trabalho


Título

OCORRENCIA DE MICOSES SISTEMICAS ASSOCIADAS A OBITOS NO BRASIL ENTRE 2003-2013

Resumo estruturado

Introdução: As micoses sistêmicas são doenças negligenciadas e geralmente relacionadas a elevadas taxas de mortalidade.
Objetivos: Descrever a ocorrência de micoses sistêmicas associadas a óbitos em geral no Brasil, entre 2003-2013.
Metodologia: Realizou-se um estudo observacional, descritivo dos óbitos por micoses sistêmicas como causa associada a óbitos, no período de 2003-2013. Registros de óbitos que continham o código internacional de doenças (10ª edição), B37 ao B49, como patologias que contribuíram para o óbito nas declarações de óbito (DO), registradas pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade, foram selecionados.
Resultados: Entre 2003-2013, foram registrados 11.991.935 óbitos no Brasil. Nesse período, as micoses sistêmicas foram associadas ao óbito em 10.925 DO. A média anual de micoses sistêmicas relacionadas ao óbito foi de 993,4 óbitos/ano, e a taxa anual de 4,9 óbitos/1.000.000 hab no Brasil. O período de maior ocorrência das micoses relacionadas ao óbito foi o de 2007-2010 (37,6%). As regiões com maiores taxas anuais de mortalidade foram: Sul (7,6 óbitos/1.000.000 hab) e Centro-Oeste (6,5 óbitos/1.000.000 hab), destacando-se os Estados do Rio Grande do Sul (9,6 óbitos/1.000.000 hab) e Goiás (8,4 óbitos/1.000.000 hab) nestas regiões, respectivamente. A densidade de mortalidade geral foi maior nas regiões Sudeste (58,7 óbitos/10.000Km2) e Sul (41,9 óbitos/10.000Km2). O sexo masculino (66%), a faixa etária de 30-59 anos (61%), a raça branca (56,3%), e estado civil casado (50,4%) foram os mais acometidos. As micoses que mais contribuíram para o óbito foram: criptococose (40,3%), candidíase (20,9%), histoplasmose (9,7%), paracoccidioidomicose – PCM (7,2%) e aspergilose (5,9%). Criptococose ocorreu com maior frequência nos Estados de São Paulo (29,4%) e Rio Grande do Sul (15%); candidíase em São Paulo (26,5%) e Rio de Janeiro (16,9%); histoplasmose em Goiás (20,9%) e Ceará (18,3%); PCM em São Paulo (31%) e Minas Gerais (12,7%); e aspergilose em São Paulo (37,4%) e Rio Grande do Sul (12%). Infecção pelo HIV como causa básica de óbito ocorreu em 59,3% dos casos. Coinfecção com HIV ocorreu em 89,8% dos casos de criptococose, 89,5% das histoplasmose, 47,4% das candidíases, 10,9% das PCM, e 5,5% das aspergiloses. Cinquenta e duas DO apresentavam duas micoses como patologias que contribuíram para o óbito, sendo que em 31 casos, a associação mais frequente foi criptococose e candidíase.
Conclusão: Micoses sistêmicas e oportunistas são importantes causas associadas a óbitos no Brasil, principalmente em indivíduos infectados pelo HIV. Destacando-se a histoplasmose como a única micose cujo maior número de óbitos ocorreu fora do eixo Sul e Sudeste.

Palavras-chave (máximo 3)

micoses sistêmicas, mortalidade, criptococose

Área

Miscelânea

Autores

Gabriel Melo Ferraz Pessoa, Nicolas Breno Gomes de Lima, Sabrina Soares Timbó, José de Paula Barbosa Neto, Lucas Aguiar Vale, Rafael Costa Coelho, Lisandra Serra Damasceno