V Congresso Cearense de Infectologia

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Dados do Trabalho


Título

COINFECÇAO HIV/TB-MDR COM EXITO NO TRATAMENTO: RELATO DE CASO

Resumo estruturado

INTRODUÇÃO: A tuberculose (TB) é uma das maiores causas de morte no mundo, principalmente entre pacientes com infecção por HIV/Aids. O microorganismo responsável pela infecção é o Mycobacterium tuberculosis. No Brasil, a doença se apresenta como sério problema de saúde pública, sendo crescente o número de casos com cepas resistentes às drogas anti-tuberculose. OBJETIVO: Relatar um caso de coinfecção HIV/TB cujo M. tuberculosis apresentou multirresistência TB-MDR). METODOLOGIA: As informações relatadas nesse caso foram adquiridas a partir da revisão de prontuário de um paciente que realizou acompanhamento no HSJDI no período entre maio de 2015 e agosto de 2017. O acompanhamento da infecção por HIV continua em andamento. RESULTADOS: Trata-se de paciente, masculino, 41 anos, natural e procedente de Acaraú-CE, portador de infecção por HIV/Aids desde maio de 2015 (toxoplasmose cerebral; carga viral do HIV de 560.000 cópias/mm3 e linfócitos T CD4+ de 3 células/mm3). Em agosto de 2015 teve diagnóstico de TB pulmonar. Iniciado tratamento com esquema básico para TB (rifampicina - RMP, isoniazida - INH, etambutol - ETB e pirazinamida - PZA) e terapia antirretroviral com lamivudina, tenofovir e efavirenz. Paciente evoluiu com persistência dos sintomas (tosse, febre, perda de peso). Em novembro de 2015, foi reavaliado sendo constatado isolamento de cepa de M. tuberculosis resistente a RMP, INH e ETB. Teste molecular (GeneXpert) também revelou resistência a RMP. Raio X de tórax apresentava padrão de comprometimento pulmonar bilateral não cavitário. Em fevereiro de 2016, foi iniciado tratamento com levofloxacina, terizidona, pirazinamida, etionamida e estreptomicina. Após 6 meses, o tratamento seguiu com levofloxacina, terizidona e etionamida. Ao todo, o tratamento teve 18 meses de duração, sempre associado à terapia antirretroviral (lamivudina, tenofovir e efavirenz). Evoluiu com boa adesão, controle da viremia, resgate da imunidade, remissão dos sintomas, normalização do Raio X de tórax e negativação dos escarros. Recebeu alta por cura da TB-MDR em agosto de 2017. Segue em acompanhamento ambulatorial da infecção por HIV. Último resultado de exames (junho de 2018) revelou carga viral do HIV indetectável e linfócitos T CD4+ de 75 células/mm3. CONCLUSÃO: O tratamento da coinfecção HIV/TB-MDR é um desafio em virtude da gravidade da condição, da complexidade do tratamento e da necessidade de acompanhamento especializado. Este caso ilustra um desfecho favorável, o que nem sempre é possível. Recomenda-se vigilância epidemiológica e laboratorial de todos os casos de HIV/TB com vistas ao diagnóstico precoce e tratamento oportuno de todos os casos de TB-MDR.

Palavras-chave (máximo 3)

Tuberculose; HIV/Aids; Multirresistência

Área

Infecções bacterianas e micobacterianas

Autores

Beatriz Hyppolito da Justa, Humberto Osne Bezerra Filho, Iana Castelo Rodrigues, Livia Barreto Galvão, Roberto da Justa Pires Neto